Indústrias lançam parceria para descarbonizar setor automotivo

01/11/2021

Uma das sugestões é calcular as emissões de CO2 desde desde a produção dos combustíveis até a emissão pelo escapamento dos veículos

Às vésperas da COP-26, entidades dos setores automotivo e de biocombustíveis se uniram, na quarta-feira (27/10), em torno de um plano estratégico para promover a Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono (MSBC) no Brasil. O objetivo, dizem, é reafirmar seus compromissos de redução de emissões de carbono.

Estão entre as signatárias do movimento a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e a Sociedade de Engenharia Automotiva (SAE Brasil).

O plano, dizem as entidades, em nota, é ampliar a utilização dos biocombustíveis no Brasil, bem como estimular a pesquisa e o desenvolvimento no país, gerar empregos e combater o aquecimento global por meio de novas tecnologias ambientalmente sustentáveis.

O MSBC tem entre suas metas estimular a convergência entre os diversos e importantes programas e iniciativas governamentais, como Rota 2030, Proconve, RenovaBio e Combustível do Futuro, permitindo que o Brasil desenvolva soluções genuínas seguindo seus diferenciais energéticos, com potencial para atrair a atenção de outros países.

Segundo as entidades, a cooperação visa contemplar as rotas tecnológicas de forma ampla, sem exclusão de nenhuma, complementando as linhas de eletrificação a bateria e outros caminhos rumo à descarbonização.

Uma das sugestões é a implantação de uma nova metodologia de cálculo que englobe as emissões de CO2 geradas desde desde a produção dos combustíveis até o escapamento dos veículos, já que atualmente só a emissão de gases  pelo veículo é considerada no cálculo.

Nesse ponto, diz a nota, há uma sintonia com o Programa Combustível do Futuro, criado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética, visando induzir o planejamento de longo prazo para o setor de biocombustíveis, com ênfase na vocação brasileira para a produção sustentável de bioenergia e combustíveis renováveis.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a entidade já apresentou um estudo de descarbonização do setor automotivo no Brasil para contribuir no debate com todos os setores envolvidos com a cadeia automotiva do país e com o poder público.

“Nosso estudo leva em consideração as diversas rotas tecnológicas, a rica matriz energética disponível e os desafios da infraestrutura do país, entre outros aspectos. Nosso objetivo é ajudar a construir um caminho para a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Temos essa obrigação para com as futuras gerações.”

Evandro Gussi, presidente da Unica, afirmou que o setor sucroalcooleiro é parte da solução aos desafios impostos pela mudança do clima e são diversas as rotas para se chegar a uma mobilidade verdadeiramente sustentável. “O biocombustível é uma solução complementar, simples, acessível, replicável e emite até 90% menos do que a gasolina.”

Segundo Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, o Brasil tem larga experiência na utilização do etanol como combustível veicular limpo e sustentável, um grande parque instalado e profissionais capacitados, que representam um grande diferencial em relação a outros países que não pode ser desperdiçado.

Fonte: Globo Rural

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